Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Jantar dia 14 de Outubro

Aviso para os Confrades:

 

No dia 24 irá realizar-se um jantar na sede da confraria para tratar de assuntos referentes á confraria.

publicado por cnc às 17:54
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Sábado, 17 de Outubro de 2009

Grelos e plantas em destaque no jardim municipal

Promover a produção local agrícola, hortícola e florícola são alguns dos objectivos de mais uma edição da Gândara&Planta e da Feira dos Grelos que, ao longo de quatro dias, animam o centro de Mira.
A Câmara de Mira vai voltar a reunir a Gândara&Planta e a Feira dos Grelos no jardim municipal da vila, entre os próximos dias 30 de Abril e 3 de Maio.
Com o intuito de promover a produção local, nomeadamente de âmbito agrícola, hortícola e florícola, bem como os utensílios e materiais relativos a estas práticas, as duas iniciativas que se realizam pela IX e V edição, respectivamente, possuem também uma vertente comercial e de incremento das relações entre entidades e empresas ligadas à área.
Ao longo dos quatro dias de mostra e feira, os visitantes do certame são convidados a provar a gastronomia à base de grelos de nabo confeccionados pela Confraria Nabos e Companhia, bem como assistir aos espectáculos de música popular e tradicional portuguesa, de grupos folclóricos e momentos de (pura) ilusão.
Destacam-se, ainda, as demonstrações de aves, obediência canina, de destroçador e escultor de motosserra, uma feira de artesanato e a oficina “Amassa e Coze”, de pão regional, aberta à população interessada.
Ao longo dos quatro dias em que decorrem os dois certames, os mais novos podem contar com animação diversa, nomeadamente através da presença de pintafaces, insufláveis e modelagem de balões para as crianças. Já para os mais velhos há diversas actividades, o concurso do melhor prato de grelos e a entrega dos prémios do concurso literário são algumas das iniciativas, de dois eventos que a autarquia pretende consolidar.

Fonte: As Beiras

publicado por cnc às 00:48
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Confraria inaugura nova sede

Noticia:

 

A Confraria Nabos e Companhia inaugura a sua nova sede, numa casa de traça genuinamente gandareza. A cerimónia – "singela" como a terra que a acolhe – decorre às 18H00.

A mesa de uma casa gandareza é o pretexto à volta do qual todos se reúnem, mas por ali vão passando conversas de outros tempos. É isto o que pretende a Confraria Nabos e Companhia: preservar a cultura e tradições de Carapelhos, tendo por base os seus grelos de nabo que, diz quem sabe, têm um sabor inigualável.
"Fizemos uma sede que custou mais de 100 mil euros e que é a prova do nosso apego, do empenho, do amor que temos à nossa terra", disse o confrade-mor Silvério Manata. Também por isso, a cerimónia de inauguração da nova sede será "simples" e aberta aos amigos. Entre os convidados, estarão presentes Henrique Fernandes (governador civil do distrito de Coimbra), Pedro Machado (presidente da Entidade Regional Turismo Centro de Portugal), Madalena Carrito (presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas) ou Carlos Capote, conhecido chefe de cozinha e também membro da confraria. Refira-se que a sede foi construída, valendo-se de uma genuína cantaria arrancada ao ano de 1938, e da estética tradicional da casa da região.

Cerca de 80 por cento
dedica-se aos nabos

Corria o mês de Janeiro de 2000 quando nasceu a Confraria Nabos e Companhia. Nasceu com o objectivo de autenticar a ruralidade, homenagear e divulgar cada vez mais "a genuinidade das suas gentes e dos seus grelos de nabo – alimento rico de aromas e sabores que, versátil, valoriza a gastronomia gandareza", refere Silvério Manata.
Os grelos têm grande "um peso económico na região", uma vez que desde os anos 30 que há quem se dedique à sua produção e venda: cerca de 80 por cento das pessoas daquela freguesia dedica-se à produção de grelos e nabos.
Silvério Manata recordou que, antigamente, "os nabos eram uma planta forageira utilizados para os animais". Mais tarde, verificou-se que a rama (grelos) também se comia e a produção expandiu-se.
Naqueles tempos, quando a agricultura era o único meio de subsistência, a população deparava-se com uma dificuldade: os terrenos eram pouco férteis. No Inverno, as terras ficavam abandonadas, mas "o povo trabalhador e inquieto", começou a testar novos produtos: e assim surgiu o "nabo" naquela zona, resistente ao frio e apreciador da humidade.
Actualmente, os grelos e os nabos têm em Carapelhos uma importância socio-económica decisiva. "Hoje partem daqui camiões para os mercados europeus", refere o responsável que, apesar de residir em Grândola, regressa sempre à sua terra, aquela que "embalou a sua infância". Por isso, em relação à Confraria Nabos e Companhia, Silvério Manata frisa: "o acto de comer não é um acto desgarrado da envolvente cultural e social". Pelo contrário: "fazê-lo é preservar o património e os valores imateriais da gastronomia tradicional".  Fonte: As Beiras

publicado por cnc às 00:42
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Pratos típicos da região à mesa

A XII Mostra Gastronómica da Região da Gândara volta à Barrinha de Mira de 17 a 20 de Setembro. O difícil será escolher.

Promover a gastronomia local, saberes e sabores da Gândara são objectivos da XII Mostra Gastronómica da Região da Gândara, que volta à Barrinha de Mira de 17 a 20 de Setembro. Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, Miguel Grego salientou que a iniciativa levada a cabo pela autarquia de Mira pretende, também, dar a conhecer pratos acabaram por cair em desuso e, por isso, já não são tão conhecidos. Sendo esperados “milhares de visitantes” ao longo dos quatro dias em que decorre a mostra, o vereador da autarquia de Mira destacou ainda que os preços das refeições são tabelados “e não devem fugir de um preço médio definido” já que se pretende que as várias iguarias “sejam acessíveis a todas as bolsas”.
De 17 a 20 de Setembro, no Largo da Barrinha, vai ser possível provar os pratos mais representativos da região em clima de festa e animação musical, num tributo à variedade e qualidade dos sabores gandareses.
Caldeiradas de enguias, sardinha na telha, bacalhau albardado, entre outros... farão as delícias dos visitantes, num evento que vai já na 12.ª edição e que conta com a participação dos restaurantes locais.
No total são 10 os lugares que servem as refeições, sendo de nove restaurantes e um da Confraria Nabos&Companhia.
A apresentação de propostas de participação por parte de estabelecimentos legalizados de restauração/hotelaria ou associações legalmente constituídas com objectivos específicos de recolher, confeccionar e divulgar os sabores e produtos gastronómicos locais, sedeados no concelho de Mira, deverá ser efectuada até dia 2 de Setembro, até às 16H00. O regulamento e fichas de inscrição podem ser disponibilizados através do número de telefone 231 480 550 ou do e-mail cultura@cm-mira.pt.

Fonte: Jornal da Região do Porto

publicado por cnc às 00:40
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Confrade internada nos Açores devido a acidente

Uma mulher, confrade da Real Confraria da Cabra Velha, de Miranda do Corvo, ainda está internada no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, depois de ter fracturado a bacia num acidente de autocarro junto à lagoa das Furnas, na segunda-feira.

Maria de Lurdes fazia parte de um grupo de 20 pessoas que cumpria o programa turístico delineado pela confraria “Os Gastrónomos dos Açores”, que realizou o seu V Capítulo no domingo.

As duas dezenas de confrades estavam a chegar à lagoa das Furnas, onde iriam provar o famoso cozido, cozinhado com o calor vulcânico, quando o veículo da autarquia de Vila Franca do Campo se despistou e acabou por tombar, após o motorista ter tentado evitar a queda na água, virando-o para uma barreira e terra.

Para além dos elementos da confraria açoriana, seguiam no veículo dois elementos da Confraria da Chafana, de Vila Nova de Poiares, Madalena Carrito e Carla Pedroso, que ficaram feridas, assim como membros das confrarias “Pinhal do Rei”, de Leiria, “Os Tanheiros”, de Santarém, e um representante da homóloga de Macau.

No total, 16 pessoas ficaram feridas, e quase todas tiveram alta em pouco tempo, ficando apenas internada a mulher de Miranda do Corvo, que, segundo o Confrade Mor dos “Gastrónomos dos Açores”, «tem uma pequena fractura na bacia, segundo os especialistas com quem falei hoje (ontem) de manhã, e não terá de fazer cirurgia», referindo ainda que, «na sexta-feira, ao mais tardar, terá alta e pode fazer a sua vida normal, apesar de alguns condicionalismos».

António Cavaco aproveitou para criticar algum sensacionalismo na forma como o acidente foi descrito na comunicação social, garantindo, com ironia, que «todos os “feridos graves” já ontem jantaram connosco e hoje estão a acompanhar o programa».

Madalena Carrito, que também é presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, ficou ligeiramente ferida na cabeça e ganhou, como «medalha de bom comportamento», dois pontos na cabeça. Ao Diário de Coimbra, desdramatizando o acidente, garantiu que «foi uma sorte» haver só um ferido mais preocupante, tendo em conta que «podia ter tido consequências muito graves».

Segundo a Mordomo-Mor da Confraria da Chanfana, a «estrada de paralelepípedos estava muito molhada e o motorista, que é muito experiente, perdeu o controlo do autocarro», frisando que, terá sido essa experiência a evitar males maiores.

«O autocarro estava sempre a ir na direcção da lagoa e o condutor atirou-o contra a barreira», disse, explicando que o veículo tombou e rodou sobre si próprio, ficando com a frente virada para a direcção de onde vinha, «o que até me deixou algo confundida».

Segundo Madalena Carrito, «apenas a senhora de Miranda do Corvo ficou internada, enquanto todos os outros tiveram alta na mesma noite», frisando que, como «tínhamos reservas, eu e a colega de Poiares, ainda conseguimos apanhar o avião».

publicado por cnc às 00:37
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Douro recebe Encontro de Confrarias Báquicas e Gastronómicas

Durante o próximo fim-de-semana (dias 19 e 20 de Setembro) o Douro vai
receber o “Encontro de Confrarias Báquicas e Gastronómicas”, uma
iniciativa inserida na Festa das Vindimas 2009 que trará à região não só os
apreciadores de vinhos e da boa gastronomia, como muitos turistas
nacionais e estrangeiros.

No âmbito desta iniciativa, promovida pela Rota do Vinho do Porto e pela
Associação Sabrosa Douro XXI, são esperados representantes de cerca de
duas dezenas de Confrarias Báquicas e Gastronómicas do país, que, neste
encontro, terão oportunidade de partilhar experiências, saberes e, claro
está, sabores.

O Douro reservou para os participantes dois dias repletos de actividades e
descobertas. A recepção promete ser exemplar, começando com um
“Welcome Drink” na sede da Rota do Vinho do Porto. Os confrades
desfilarão pelas ruas da Régua em direcção ao Solar do Vinho do Porto,
onde decorrerá um encontro com representantes das mais diversas
entidades da região duriense.

Seguem-se visitas ao Museu do Douro, a quintas e a aldeias tipicamente
durienses. Em tempo de vindimas, o Douro convida os confrades e demais
visitantes a participar na Lagarada Tradicional, a decorrer em Celeirós do
Douro, concelho de Sabrosa.

No domingo, dia 20, a Quinta do Portal abre as portas aos confrades,
chamando-os a uma visita às Caves de Envelhecimento, de autoria do Arq.
Siza Vieira. No mesmo local decorrerá uma conferência subordinada ao
tema “O Papel das Confrarias na Divulgação dos Produtos e Eventos
Regionais”.

Os participantes terão ainda oportunidade de degustar um almoço típico nas
tasquinhas da Lagarada Tradicional, de participar no Desfile de Oferta do
Ramo e Bênção dos Mostos e de visitarem a Aldeia Vinhateira de
Provesende.

De referir que esta iniciativa está inserida no vasto programa das Festas
das Vindimas 2009, que decorrem no Douro de 5 de Setembro a 11 de
Outubro.

publicado por cnc às 00:15
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II Feira dos Grelos na companhia da VI Gândara e Planta

II Feira dos Grelos na companhia da VI Gândara e Planta

Fernando Conceição, um dos elementos da direcção da

Confraria Nabos e Companhia

, revelou as expectativas da confraria em relação à II Feira dos Grelos, que vai decorrer no Jardim Municipal de Mira, nos dias 11 e 12, e aproveitou para lançar um apelo para que “todas as pessoas apareçam em Mira” nestes dias, pois “com certeza não vão sair de lá desiludidas”. “Vamos tentar fazer o melhor possível”, prometeu o confrade.

Fonte: o Gandarez

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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

V Capitulo da Confraria

Noticia:

 

“Enquanto Confraria Gastronómica estamos vocacionados para comer…” Assim se apresenta a Confraria do Nabos, que no seu rol de propósitos, desde logo salienta a sua vocação gastronómica, não fosse ela uma confraria, para de seguida salientar que pretender promover o grelo, de nabo pois claro, e prestigiar a sua terra, os Carapelhos, Mira a Gândara, e também o nosso Portugal.
No passado sábado a C.N.C. (Confraria Nabos e Companhia) celebrou o seu V capítulo, juntando a mesa, pois claro, mais de 50 outras confrarias, provenientes não só de Portugal, mas também da vizinha Espanha, e de França.
Esta confraria, nascida em Janeiro de 2000, e que representa não só parte de uma classe de produtores agrícolas, mas também toda um população local que gosta de estar bem com os seus, e vê na mesa o local ideal para esta confraternização.
Como o seu logótipo (insígnia) o pode confirmar (Um barco funde-se com uma carroça encimada por um nabo. Símbolos de gente que, um pé na terra, outro no mar, labuta árdua e diariamente), ela, confraria, está entre a terra e mar, tal como esteve sempre habituado o habitante da gândara, pois foi com os rebentos da terra e com os filhos do mar que estas gentes se conseguiram aqui manter desde os tempos em que umas papas de farinha e abóbora, umas couves torcidas e um rabo de sardinha, eram manjar digno de reis, tal a penúria e as necessidades por que passaram estes povos.
Foi um dia de festa, com os confrades a servirem de cicerones, na sua sede, nos Carapelhos, aos colegas de cerca de 50 confrarias, que quiseram marcar presença nesta data especial para os nabos.
Depois da missa de bênção dos confrades, na igreja matriz de Mira, seguiu-se um desfile até ao quartel dos Bombeiros Voluntários, onde decorreu a cerimónia de entronização dos novos confrades, aqui Silvério Manata (membro da direcção da confraria) aproveitou para informar acerca da realização de mais uma Feira dos grelos da região da Gândara, já na sua III edição, a efectuar em Fevereiro de 2007.
“A associação CONFRARIA NABOS E COMPANHIA de Carapelhos é a única Confraria Gastronómica oriunda de uma aldeia. Para isso nasceu. Para autenticar a ruralidade, para homenagear e divulgar cada vez mais a genuinidade das suas gentes e dos seus grelos de nabo – alimento rico de aromas e sabores que, versátil, valoriza a gastronomia Gandaresa. E fá-lo desde o ano 2000.
Porém, esta terra, sendo mãe, (e é conhecida a nossa afeição à terra - mãe que nos embalou a infância) é simultaneamente madrasta porque, para além do berço modesto, com pouco mais nos mimou: herdámos-lhe um chão areento, quase estéril, que não enche cristãmente a boca a todos e obrigou a sangria grande de homens. Os que, mais apegados ao torrão natal, não ousaram tornar-se andarilhos entregaram-se a uma agricultura de subsistência cuja adiafa acontecia em Outubro. Mas incomodava-nos aquele sossego de Outono que se estendia até Janeiro. Dominando mal o impulso que nos impele a amanhar a terra para fecundá-la e garantir o sustento até ao ano novo, ensaiámos os grelos de nabo que, resistentes ao frio e apreciadores da humidade de Inverno, se adaptaram. O resto da história é conhecido.”
"o nabo foi um pretexto para valorizar o mundo rural, os seus costumes e tradições, uma memória que não pode ficar esquecida".De referir que a cultura de nabos e grelos constitui de 95 por cento da economia da região e emprega 60 por cento da população activa da aldeia de Carapelhos”

 Fonte: O gandarez

publicado por cnc às 23:58
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Estrevista ao jornal "Independente de Cantanhede" do nosso Grão Mestre

Silvério Manata é o fundador da Confraria Nabos e Companhia. Esta foi a forma encontrada para manter a tradição da confecção da gastronomia tipicamente gandaresa. A plantação de grelos de nabo surgiu há cerca de 30 anos. Desde então, este alimento tornou-se típico da zona de Carapelhos, concelho de Mira.

Para se tornar "nabo" teve de passar por um ritual de entronização baseado numa tradição que remonta há vários anos, por altura da festa em honra de Nossa Senhora da Conceição.

Nos livros "Contos da Confraria" e "No reino dos Nabos", o grão-mestre relata vivências dos habitantes da região da Gndara. Em nada relacionados com a Confraria, a gastronomia também está presente nestas publicações pois todos os títulos dos contos são nomes de ementas.

P:Com que objectivo foi criada a Confraria Nabos e Companhia?

R:Sou confrade desde a primeira hora, pois sou o fundador da Confraria Nabos e Companhia, criada a 1 de Janeiro de 2000. A Confraria foi criada para promover o património gastronómico regional que está normalmente sempre carregado de história. A cultura de uma região passa sempre pela própria gastronomia. Normalmente as confrarias têm o nome da região ou dos produtos que defendem mas nós optamos por, em paralelo com as sardinhas na telha e com o pitéu de raia tudo genuinamente gandares, juntar os versáteis grelos de nabo que valorizam a gastronomia. Também porque somos da aldeia que é o berço da produção de grelos. Querendo nós homenagear a terra, nada melhor do que dar o nome daquilo que é mais genuíno.

P:Porquê "Nabos e Companhia"?

R:Há uns 30 anos atrás, começaram a vender grelos na feira de Cantanhede. No período em que acabava a adiafa, perto do mês de Setembro, não havia grande trabalho para fazer nos campos. As pessoas que lidavam mal com as forças que as impediam ao trabalho, começaram a experimentar os grelos de nabo. No início era só uma planta forrageira cozida para os porcos, mas depois descobriram-lhe as virtudes da rama e começaram a comercializá-la. Primeiro vinham para Cantanhede em carros de bois, chegavam a ir de comboio para Coimbra, até que passaram a ser transportados em camiões até para o estrangeiro. Portanto tem um peso económico grande para a aldeia. Entretanto pela sua excelência já alastraram à região. Neste momento não são só património de Carapelhos.

P:É a única confraria oriunda de uma aldeia…

R:Até à data pouco mais há. Somos a única confraria oriunda de uma aldeia mas isso não tem nada de mais nem de menos, só nos confere alguma autonomia. Sendo este um trabalho de carolice, numa aldeia sem apoios da Câmara e de outros organismos é muito complicado. Neste sentido temos um certo orgulho em dizer que somos a única confraria oriunda de uma aldeia. Este é um factor de motivação e por outro lado também de orgulho. Sendo muito trabalho e continuando nós extremamente activos vamos ganhando algum peso.

P:Qualquer pessoa pode fazer parte da confraria?

R:Não é nabo quem quer é nabo quem pode, costumo dizer em jeito de brincadeira. Integrar a confraria tem direitos mas também muitos deveres. Tentamos escolher confrades que sintam a terra. É difícil de descrever, mas há aqueles indivíduos que não sentem muito amor à causa, é nesse sentido e brincando que digo que não é confrade quem quer mas quem pode. Isso não quer dizer nada mas quer dizer sobretudo que para se tornar confrade é preciso ter um certo número de requisitos que não são quantificáveis nesses termos mas gravitam de certo modo à nossa volta até que nós tenhamos quase a certeza que eles se dedicam à causa. Não há provas propriamente ditas mas há ali uma espécie de um ano de estágio.

P:Como foi o seu ritual de entronização?

R:Tem de haver uma confraria madrinha que entroniza o confrade mor e é esse que entroniza os outros. É um ritual curioso e engraçado. No fundo somos uma associação cultural e nesse sentido vamos fazer a entronização indo buscar qualquer coisa à tradição. Nos Carapalhos comemora-se a 8 de Dezembro a Festa de Nossa Senhora da Conceição. Através de testemunhos orais, ficamos a saber que antigamente as pessoas que iam à festa passavam pelos campos e arrancavam o nabo e talhavam o respectivo copo. Ficava algo mais ou menos redondo pelo qual bebiam o vinho nas tascas da dita festa. O nosso ritual de entronização, em que se diz que "a partir de agora és um autêntico nabo", está relacionado com esta tradição. O novo elemento vai beber as raízes à tradição. O meu foi assim, os meus padrinhos deram-me a beber pelo nabo.

P:Há algum encontro especial que lhe tenha ficado na memória?

R:Todos os encontros ficam na memória. Fazemos dois tipos de encontros, os capítulos que são festas anuais mais formais, e os encontros que são feitos numa genuína casa gandaresa onde todas as refeições são confeccionadas pelos confrades. Este é outro dos requisitos para entrar na confraria, cada elemento tem de saber cozinhar.

P:Empenhados na certificação dos grelos de nabo…

R:Estamos a trabalhar para a certificação dos grelos de nabo. Não é um processo muito fácil porque, entre outras coisas, para que se certifique um produto ele tem de ter história. Além dos testemunhos orais, um dos confrades está a desenvolver um trabalho de investigação na biblioteca de Cantanhede sobre os grelos de Carapelhos.

P:Escreveu "Contos da Confraria" e "No reino dos Nabos". Porquê?

R:Sempre gostei de escrever. A confraria foi uma espécie de mola que impulsionou uma coisa que estava cá dentro. Certas coisas que tinha necessidade de escrever, achei que nesse momento tinham cabimento. São histórias relacionadas com todo o universo gandarês. Tendo em mente a ideia de que comer é cultura, todos os contos têm o título de uma ementa. Os livros não estão relacionados com a confraria. É uma forma de agradecimento por ter sido a tal mola impulsionadora.
publicado por cnc às 23:54
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VII Grande Capítulo de 2008



Nós, Nabos e Companhia, celebramos hoje o nosso VII CAPÍTULO. Festa maior de uma confraria cuja significação radica nas assembleias gerais periódicas de uma congregação religiosa onde, no início dos encontros, se procedia à leitura de um capítulo da REGRA MONÁSTICA, conjunto de preceitos destinado a guiar a conduta das comunidades monásticas de que há rasto nos nossos actuais Regulamentos Internos. Da ancestralidade e do contexto onde ocorria o capítulo, emana, pois, ainda hoje, ao ser actualizado neste ritual festivo, uma certa aura de religiosidade.

Porém, se enquanto confraria é relevante que recuperemos esta solene cerimónia monastical, que legitimidade terá uma Confraria Gastronómica para se reclamar herdeira de tão austeros e frugais cerimoniais?

Parece haver uma certa incompatibilidade entre o substantivo confraria e o adjectivo gastronómica que a caracteriza. O conceito de confraria possui algo de esotérico e conquistou já o inconsciente colectivo com foros de sacralidade: é a fraternidade que comporta a ideia de disponibilidade para o outro e através da qual se há-de ascender ao absoluto, enquanto o termo gastronómica, que particulariza a ideia de irmandade, remete para o corpóreo, para a prosaica tarefa do aparelho gástrico. É o conceito, aparentemente antagónico, da espiritualidade de um D. Quixote a vergar-se ao materialismo de um Sancho Pança.

Esgaravatando, há-de pôr-se a descoberto a raiz grega do adjectivo gastronómica cuja etimologia encaminha para a vileza de ingerir e processar alimento, seja para humanos ou para animais. Fazê-lo era, instintivamente, garantir a sobrevivência mas, progressivamente, desfrutar dos prazeres proporcionados pela comida e era, continuando a herança dos imemoriais tempos pagãos, poder manifestar a alegria de estar vivo; era, num mundo politeísta e dedicado ao culto naturalista, celebrar agradecidamente as Divindades da Fartura; era festejar a Natureza. Foi converter o simbolismo litúrgico do trigo e do vinho dos mistérios Eleusinianos no ritual cristão da Última Ceia. É a coabitação do profano e do sagrado.

Neste contexto, o acto primordial que assegura a continuidade da espécie começou a estar para além das necessidades vitais. A abundância trouxe o desejo da novidade, da experimentação, do exotismo. Cada vez mais elaborada, a comida foi-se requintando e a evolução semântica do étimo gastro ganhou estatuto que, pela sua abrangência, a eleva acima do conceito de culinária: é o culto epicurista da mesa

Enquanto o refinamento dos alimentos vai ganhando peso definha a noção de desavença entre matéria e espírito e ganha consistência a ideia do ser humano enquanto um todo indissociável, de corpo e alma. Nesta perspectiva, o acto de comer não é um acto desgarrado da envolvente cultural e social. Fazê-lo é preservar o património e os valores imateriais da gastronomia tradicional.

O Gandarês lançou mão da dádiva do mar que lhe ronda a porta e dos escassos produtos de um chão areento. Foi desta união do Atlântico com a areia maninha que a cozinha desta região encontrou a sua expressão mais genuína; daqui lhe arrancou manjares que nos confortam o espírito e o estômago e são esses saberes ancestrais que evocam em nós uma infinidade de vivências e sensações. O culto pelos prazeres da mesa regional motivou-nos a fundar uma associação que homenageia a genuinidade de sabores e saberes daquilo que por cá ainda se saboreia.

Conscientes de que quando um punhado de NABOS se senta à mesa é a Gândara toda que para aí é convocada, reconcilia-se o conceito antinómico dos elementos constituintes de confraria gastronómica pois há algo de abençoado e litúrgico em preservar e divulgar a partilha saudável e festiva dos paladares gandareses. Há oito anos que vimos construindo essa mesa com alma.

Justificada a dignidade de um capítulo gastronómico, e porque neste contexto também cabe celebrar a mitologia das colheitas, a nossa escolha para a cerimónia de insigniação dos novos confrades não recai no convento (que não temos) mas num campo de grelos de nabo, alimento rico de aromas, sabores, vitamina c e ácido fólico que optimiza a nossa gastronomia. Espaço pouco acolhedor mas que, para além de arejar o modelo instituído, permite sentir, testemunhar e apreciar o trabalho artesanal da apanha deste vegetal que também tem projectado o nome deste concelho.

O nosso Grão Mestre,

 

Silvério Manata

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